O empreendedorismo feminino deixou de ser uma tendência para se consolidar como uma parte importante da economia brasileira.

Hoje, milhões de mulheres estão à frente de negócios, criando produtos, oferecendo serviços, gerando renda, movimentando mercados e construindo novas possibilidades para suas próprias vidas e para suas famílias.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar esse movimento: o Brasil chegou a 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, o maior patamar da série histórica acompanhada pelo Sebrae. Em dez anos, o número cresceu 27%, passando de 8,2 milhões, em 2015, para o cenário atual.

Mas olhar apenas para o crescimento numérico não é suficiente. Por trás de cada negócio existe uma história, uma decisão e, muitas vezes, uma busca por autonomia, renda e novas oportunidades.

10,4 milhões de mulheres estão fazendo negócios acontecerem

O crescimento do empreendedorismo feminino revela uma transformação importante no mercado brasileiro.

Segundo o levantamento do Sebrae baseado na PNAD Contínua, as mulheres representam atualmente 34,3% dos donos de negócio no Brasil.

Embora ainda exista uma diferença significativa em relação à participação masculina, a evolução dos últimos dez anos mostra que cada vez mais mulheres estão ocupando o espaço de liderança de seus próprios negócios.

E esse movimento acontece em diferentes territórios, realidades e setores.

São mulheres que empreendem por oportunidade, por necessidade, pela possibilidade de construir uma fonte de renda, pela busca de maior autonomia ou pelo desejo de transformar uma habilidade em negócio.

O empreendedorismo, para muitas delas, representa também a possibilidade de tomar decisões sobre o próprio caminho profissional.

Quem é a mulher que empreende no Brasil?

Não existe um único perfil de empreendedora brasileira.

Elas estão em diferentes faixas etárias, regiões, níveis de escolaridade e segmentos econômicos. Algumas comandam empresas já estruturadas. Outras trabalham por conta própria, iniciaram recentemente e ainda estão construindo seus primeiros processos de gestão.

Um dado chama atenção: o nível de escolaridade das mulheres donas de negócio aumentou de forma expressiva nos últimos anos.

Entre 2012 e 2025, houve crescimento de 18,6 pontos percentuais na parcela de mulheres donas de negócio com ensino superior incompleto ou mais, enquanto a participação daquelas com ensino fundamental incompleto caiu 17,3 pontos percentuais. Atualmente, a proporção de mulheres donas de negócio com ensino superior incompleto ou mais é 13 pontos percentuais maior que a observada entre os homens donos de negócio.

Isso ajuda a desconstruir uma ideia importante: empreender não é apenas colocar uma ideia em prática. É também desenvolver conhecimento, capacidade de gestão e visão estratégica.

Empreender também é assumir responsabilidades

Para muitas mulheres, o negócio não representa apenas uma realização profissional. Ele está diretamente ligado à vida familiar e à geração de renda.

Um levantamento do Sebrae aponta que 52% das mulheres empreendedoras eram chefes de domicílio no recorte apresentado pela instituição.

Esse dado ajuda a compreender a dimensão da responsabilidade que muitas empreendedoras carregam.

Quando uma mulher fortalece seu negócio, os efeitos podem ultrapassar o espaço da empresa. O negócio pode representar renda para a casa, autonomia para tomar decisões e, em alguns casos, oportunidades de trabalho para outras pessoas.

Por isso, falar sobre empreendedorismo feminino também significa falar sobre desenvolvimento econômico e social.

Em quais áreas as mulheres empreendem?

As mulheres estão presentes em uma grande variedade de atividades.

Historicamente, existe uma presença expressiva em segmentos como beleza, moda, alimentação e serviços. Dados anteriores do Sebrae e do GEM já apontavam forte participação feminina nessas áreas, especialmente entre microempreendedoras individuais.

Mas o empreendedorismo feminino também está avançando para outros espaços, incluindo tecnologia, educação, inovação, comunicação e negócios digitais.

Essa diversidade é importante porque mostra que não existe um único modelo de negócio feminino.

Existe a profissional que transforma um talento em serviço, a empreendedora que cria uma marca, a especialista que oferece conhecimento, a mulher que começa vendendo pela internet e aquela que constrói uma empresa com equipe, processos e planos de expansão.

Cada trajetória tem seu próprio ponto de partida.

Crescer não significa que a jornada ficou fácil

O crescimento dos números é uma conquista. Mas ele não significa que todos os desafios foram superados.

O próprio levantamento do Sebrae mostra que as mulheres donas de negócio ainda apresentam rendimento médio inferior ao dos homens. Em dezembro de 2025, o rendimento médio das empreendedoras foi de R$ 2.929,94, contra R$ 3.864,12 entre os homens, uma diferença de 24%.

Também existem desafios relacionados ao acesso a crédito, formalização, tecnologia, gestão, mercado e equilíbrio entre as responsabilidades profissionais e familiares.

Por isso, ampliar o número de mulheres empreendedoras é importante, mas criar condições para que esses negócios se fortaleçam e cresçam é ainda mais estratégico.

É aqui que a capacitação faz diferença

Ter uma boa ideia é importante. Saber fazer aquilo que você oferece também. Mas um negócio sustentável exige outras competências.

  • É preciso saber: calcular preços; organizar as finanças; entender o cliente; vender; comunicar o valor do produto ou serviço; construir uma marca; utilizar ferramentas digitais; acompanhar resultados; tomar decisões; identificar oportunidades; adaptar-se às mudanças do mercado.

E essas são habilidades que podem ser desenvolvidas. Capacitação não significa dizer que a mulher não sabe empreender. Pelo contrário. Significa reconhecer que quem já está fazendo acontecer pode ir ainda mais longe quando tem acesso às ferramentas certas.

Tecnologia e conhecimento podem ampliar possibilidades

O cenário atual dos negócios também exige uma nova relação com o digital.

Hoje, presença nas redes sociais, ferramentas de gestão, meios de pagamento digitais, inteligência artificial, comunicação online e estratégias de vendas fazem parte da realidade de muitos pequenos negócios.

Para a empreendedora, conhecer essas ferramentas pode significar economizar tempo, alcançar novos clientes, organizar melhor processos e tomar decisões mais informadas.

Mas acesso à tecnologia precisa vir acompanhado de conhecimento.

Não basta ter uma ferramenta. É preciso saber quando usar, por que usar e como transformar aquilo em resultado para o negócio.

É nesse encontro entre conhecimento, tecnologia e prática que a capacitação ganha ainda mais relevância.

Empreendedorismo feminino também é sobre rede

Nenhuma empreendedora precisa construir sua trajetória completamente sozinha.

Trocar experiências, conhecer outras mulheres, encontrar possíveis parceiras, compartilhar desafios e aprender com quem já percorreu determinados caminhos também faz parte do desenvolvimento de um negócio.

Uma rede pode abrir portas, gerar novas ideias, criar parcerias e, principalmente, diminuir a sensação de que cada desafio precisa ser enfrentado individualmente.

Fortalecer o empreendedorismo feminino, portanto, também significa fortalecer comunidades de mulheres.

O futuro do empreendedorismo feminino passa por acesso

Os 10,4 milhões de mulheres donas de negócio mostram que elas já estão ocupando um espaço relevante na economia brasileira.

O próximo passo é ampliar as condições para que cada vez mais dessas mulheres tenham acesso a conhecimento, tecnologia, crédito, mercado, redes de relacionamento e oportunidades de desenvolvimento.

O desafio não é apenas fazer mais mulheres empreenderem.

É contribuir para que elas possam empreender com mais informação, autonomia, estratégia e possibilidades de crescimento.

É nessa direção que iniciativas de capacitação têm um papel fundamental.

No Instituto Mulheres que Decidem, acreditamos que desenvolvimento começa quando uma mulher tem acesso a ferramentas que ampliam sua capacidade de decidir e agir sobre a própria trajetória.

O Mulher Decidida Digital nasce justamente desse propósito: aproximar mulheres empreendedoras de conhecimentos práticos sobre empreendedorismo, vendas, marketing, finanças, tecnologia e inovação.

Porque uma mulher que decide empreender já está movimentando a própria história.

Quando ela encontra conhecimento, rede e oportunidade, essa decisão pode alcançar muito mais longe.

Empreendedorismo feminino não é apenas sobre abrir negócios. É sobre ampliar possibilidades de autonomia, desenvolvimento e transformação.

Fontes

Este conteúdo utiliza dados do estudo do Sebrae sobre empreendedorismo feminino, elaborado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), além de conteúdos e levantamentos do próprio Sebrae sobre mulheres donas de negócio.

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